Entrevista com o criador das histórias dos Piratas do Tietê, Hugo, Gato e Gata, Condomínio, Fagundes, Overman, Los 3 Amigos, Os Palhaços Mudos, entre outros.
- Antes de mais nada, obrigado por existir e me responder com tanta presteza. Sem Você, o Glauco e o Angeli, não seria quem sou hoje.
Obrigado por existir. Isso é doido. Eu não tinha escolha, Fabio!
- Em primeiro lugar, gostaria de satisfazer uma dúvida de muitos: O que aconteceu com aquelas maravilhosas revistas em quadrinhos dos anos 80?
As revistas dos anos 80 faliram nos anos 90. Assim, bem resumido, eram projetos muito precários do ponto de vista empresarial, ainda que importantes como expressão cultural. As histórias em quadrinho, como tendência, buscaram o caminho das livrarias.
- Você conseguiu construir personagens inesquecíveis em sua tragetória. Piratas do Tietê e os Gatinhos são apenas alguns exemplos deste universo. Como se dá o nascimento destas criaturas?
Não sinto que a criação de personagens seja a parte mais forte no que eu faço. Mantive vários deles meio que por conveniência, porque, no contexto dos quadrinhos, personagens são um elemento muito reconhecido. Em geral, minhas melhores experiências são personagens que nasceram dentro de histórias, em situações onde faziam sentido naquele momento. Alguns deles sobreviveram a esse momento e tiveram uma certa vida..
- Você sempre diz que utiliza personagens clichês, mas acho todos eles únicos. Como o clichê assume esse perfil diferenciado?
Em personagens como os Piratas, Deus, Overman, usei a representação mais comum em que pude pensar. Minha intenção era a de que os leitores não tivessem a menor hesitação em fazer uma classificação inicial da idéia. O que se passa a seguir é um jogo que me agrada muito: transformar, transportar conteúdos, trocar significados. Fazer dos Piratas moradores da megalópole atual, de Deus uma pessoa comum, de um super-herói alguém inserido no cotidiano prosaico.
- Fale sobre “Deus segundo Laerte”.
Como disse, parti do deus único da mitologia católica, da representação arquetípica de um velho senhor todo-poderoso, e tratei-o como uma pessoa comum, com reações que misturam a metafísica e as terrenidades. Outros elementos da mitologia e da história das religiões acabaram frequentando as histórias: santos, anjos, demônios, Jesus, Buda etc. As reações – vindas de pessoas de várias correntes religiosas – a esse trabalho, foram muito positivas, em geral..
- E a parceria com o Glauco e o Angeli?
Conheci o Angeli antes, quando nós dois começávamos a publicar por aí. O Glauco apareceu num dos primeiros salões de humor em Piracicaba e logo sentimos uma identificação forte com ele. O Angeli foi quem criou os veículos da nossa parceria – na Folha de São Paulo e na Chiclete com Banana.
- Com toda tecnologia atual, o que mudou no mundo das ilustrações.
Pergunta difícil, pra mim. Melhor perguntar para um ilustrador. Sou autor de pouca técnica… Pra mim, a tecnologia teve maior importância na agilidade com que passei a fazer e enviar meus trabalhos. Na possibilidade de trabalhar em casa, por exemplo.
- Qual o melhor caminho para cartunistas iniciantes?
Não sei responder de modo genérico. Prefiro ver o trabalho do iniciante e dar meus palpites. Varia muito, essa é a verdade.
- Quais os próximos projetos do Laerte? O que está por vir?
Não tenho mais projetos, Fabio. O que está por vir é o que já está vindo…
Beijo!






