A primeira personagem lésbica de quadrinhos chegou e ficou.
A Katita nem precisa se apresentar, mas e sua mãe? Quem a gerou, a concebeu e a criou? Essa é outra personagem de peso, mas do mundo real. Está por este mesmo mundo em que nós andamos. Por acaso fizemos contato e logo que descobri com quem falava não pude deixar de pedir uma entrevista.
- Fala, Professora Anita. Diz aí:
- De editora do Fanzine Gospel a criadora da primeira personagem lésbica para quadrinhos. Mudança radical ou duas faces da mesma moeda?
Duas faces da mesma moeda. Mas podem surgir outras. Como seres humanos, temos multiplicidade; inúmeras “faces”, de acordo com o momento vivido.
- Falando na Katita, como vão as coisas para ela?
Vão relativamente bem. Sem grandes tiragens, mas com interesse crescente por parte de novos leitores, além dos que a Katita já conquistou. Na internet, vários sites reproduzem suas tiras e ilustrações, além do blog (Cafofo da Katita).
- E a poesia?
A poesia está presente no meu cotidiano e atualmente faço poemetos para divulgação virtual. Em publicação, o maior estímulo é da Editora da Tribo que publica anualmente uma agenda poética. É o Livro da Tribo, com uma tiragem abrangente, reunindo poetas nas páginas coloridas e ilustradas.
- Há um tempo atrás também rolou uma participação no calendário Chabanais. Conte um pouco sobre o que é e qual o principal objetivo desta iniciativa.
O Calendário Chabanais escolhe anualmente pessoas ligadas ao combate a homofobia, seja na arte, no cotidiano e na militância.
Recebi o convite para participar da edição de 2011, que foi lançada na Parada Gay do Rio de Janeiro e aceitei figurar nos meses de março e abril.
- Mesmo com toda a luta, o preconceito continua forte. Qual a principal causa e qual o melhor caminho para combater o preconceito?
A causa para o preconceito é obviamente a ignorância gerando intolerância e conceitos equivocados. A luta contra o preconceito está crescendo e dando maior notoriedade ao tema na mídia. O melhor caminho é a união, as articulações políticas, eventos e protestos contra a homofobia. Por outro lado, são necessárias ações no cotidiano de cada um, para uma convivência harmoniosa entre as pessoas, independente da orientação sexual.
- Artista e militante: Onde começa uma e acaba a outra?
Só artista. rs Não sou militante, mas pelo meu trabalho com a Katita e na literatura, acabo sendo confundida como militante. A militância faz um trabalho árduo, contínuo e admirável. Sou apenas uma escritora e roteirista de quadrinhos.
- Uma semente para plantarmos na cabeça do leitor:
Deixe germinar a aceitação, a harmonia e o conhecimento.
http://cafofodakatita.blogspot.com.br/




