Por: Fabio da Silva Barbosa
Denilson Rosa dos Reis, professor de História, guitarrista de blues e fanzineiro. Editor do fanzine Tchê desde 1987. Publica as revistas Quadrante Sul e Peryc, O Mercenário. Ganhador do Troféu Risco em 1988, com o fanzine Tchê, e do Prêmio DB Artes em 2010, com a revista Quadrante Sul. Publicou no livro Raízes de Alvorada em 2006, textos sobre a História de Alvorada/RS.
Como foi o início da relação com os zines?
Foi através dos quadrinhos de super-heróis Marvel. Depois de assistir o filme do Conan, comecei a ler quadrinhos. Um cara do Maranhão me convidou para entrar no seu fã-clube depois de ver minha carta numa revista da Editora Abril. Ele editava um ‘jornalzinho’, que depois ficamos sabendo ser um fanzine. Na sequência o cara começou a incentivar uma galera a fazer o seu próprio zine e acabei, em dezembro de 1987, lançando o Fanzine Tchê 01, com capa de Henry Jaepelt e HQ escrita por mim e desenhada pelo argentino Isaac Hunt. Isto há 25 anos! Em tempo, o cara que mencionei e responsável pelo meu início nos fanzines foi o fantástico Joacy Jamys, figura mítica dos fanzines no Brasil. Fui o primeiro com quem ele fez contato fora do Maranhão.
E com os quadrinhos?
Como falei acima, depois que assisti ao filme Conan – O Bárbaro, em uma reprise no cinema (Isto mesmo, numa época em que aparelho de vídeo K7 era raridade, os cinemas reprisavam filmes que viraram Cult pelo público), descobri que o personagem era oriundo dos quadrinhos (mais tarde fiquei sabendo que era dos ‘pulp’) e comecei a ler a revista A Espada Selvagem de Conan. Virei fã do Conan (tanto que hoje tenho todas as revistas do personagem publicadas no Brasil), mas fui além. Comecei a ler outras HQs da Marvel e depois DC Comics. Quando comecei com os fanzines descobri o quadrinho nacional e virei militante, defendendo as HQs produzidas no Brasil.
Como foi a transformação do Quadrante Sul zine para revista?
Na real a Quadrante Sul já nasceu como revista. No final da década de 1980, eu editava o fanzine Tchê, Alex Doeppre, o fanzine Antimatéria, e o Gervásio Santana, o fanzine Estilo. Todos eram zines ‘papel xerox’ e a Quadrante Sul seria uma publicação impressa em gráfica, além de ‘remunerar’ os desenhistas com exemplares da revista. Claro que o que conseguimos naquela época foi uma impressão em off-set com capa em duas cores, ou seja, tudo bem limitado. 20 anos depois, já adultos e com alguma reserva financeira para bancar uma revista com capa colorida e impressa em gráfica com alto padrão de qualidade, retomamos a revista. Além disso, buscamos retomar também alguns personagens que havíamos criado na época em que publicamos nossos primeiros zines e os números 1 a 3 da Quadrante Sul. Foi um ‘revival’ que curtimos muito e logo estaremos dando continuidade.
O panorama atual dos quadrinhos:
Os quadrinhos estão bem diferentes da época em que comecei a colecionar. As revistas estão mais produzidas graficamente e temos uma opção grande de publicações e estilos. O preço é que anda bastante salgado, o que faz as tiragens caírem bastante. Hoje seleciono bastante o que vou comprar, tanto que não tenho mais uma coleção mensal. A única exceção é a revista Vertigo. Quanto ao quadrinho nacional, temos visto ótimas obras, a maioria nas livrarias e revistarias especializadas. Sinto a falta de ir numa banca para comprar um gibi com diversidade de autores brasileiros.
O que é indispensável em um quadrinho?
Um personagem marcante é fundamental! A história tem que ser bem estruturada e com uma compreensão fácil, onde o leitor consiga acompanhar o roteiro sem ter que retomar a leitura após cinco ou seis páginas. Quadrinho é divertimento, mesmo que o enredo seja denso, crítico ou existencial. O desenho chama bastante a atenção, mas uma HQ sem um roteiro bem escrito não fica na nossa memória.
Um personagem inesquecível:
Conan, sem dúvida nenhuma! Robert E. Howard foi iluminado ao criá-lo. É o tal personagem marcante que falei acima.
Considerações finais:
Aquele tradicional agradecimento ao Fabio pelo espaço e a você que leu estas minhas poucas palavras. Leia muito quadrinho ou o que você curte, faça zines, mantenha contato com as pessoas, curta a vida!




