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Uma entrevista suja

Por Fabio da Silva Barbosa

Vamos para mais uma entrevista com a rapaziada do lado B dos quadrinhos. Hoje, a troca de ideias é com Cristiano Onofre, criador dos “quadrinhos mais sujos da face da Terra”

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O que são “Os quadrinhos mais sujos da face da Terra”?

O nome começou como uma brincadeira com o fato de sempre sujar demais quando desenho. Sujo o papel e sujo a mim mesmo. Com o passar do tempo, colocar esse nome na série acabou se tornando uma justificativa pra eu não me preocupar nunca mais com a estética da coisa, mas sim com o resultado e com o desabafo que está colocado ali. O nome tornou fazer quadrinhos algo mais confortável pra mim, eu acho. Fora o fato de que as situações e sentimentos que são retratados nos quadrinhos que eu faço são, em maioria, sujos.

Há pouco tempo você fez uma série de viagens para divulgar esse trabalho.

Foi o melhor momento da minha vida. Passei 2012 e início de 2013 inteiros viajando por todo o Brasil (e também uma tour no Uruguai) pra divulgar o meu livro de contos, “Câmera Lenta”, e no meio do caminho acabou surgindo a série “Os quadrinhos mais sujos da face da Terra”. Tudo sempre sendo exposto em todos os lugares pra onde fui, colando na parede com fita adesiva mesmo, bem d.i.y. e preguiçoso.
Mas o melhor de tudo foi ter conhecido tanta gente maravilhosa, tantos contatos incríveis e amizades que vão durar pro resto da vida. Isso não tem preço, mesmo que eu tenha passado por alguns perrengues durante as turnês, eu aceitaria fazer tudo de novo e de olhos vendados.

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Qual a sua principal intenção ao fazer um quadrinho?

Meus quadrinhos são muito pessoais. Quando faço uma tirinha, nunca penso em quem posso estar atingindo ou em nome de quem estou falando. Tudo o que faço ali é sempre uma representação gráfica de mim, dos meus sentimentos… fico até espantado com o número de pessoas que se identificam com aquilo.
O número de pessoas perdidas pelo mundo esperando que alguém dê voz as angústias é gigante e não consigo me enxergar como alguém que dá essa voz, não sei… É tudo tão complicado.
Eu sempre recebo mensagens na página com pessoas dizendo que se identificam, que gostam dos quadrinhos. Fico lisonjeado com isso. Não é simplesmente uma forma de me comunicar com pessoas que admiram o que eu faço, mas é, acima de tudo, uma forma de me comunicar com pessoas que sentem as mesmas coisas que eu sinto.

Existem outros projetos?

No momento estou trabalhando em um livro de quadrinhos que deve sair no fim desse ano, pela Prego (para quem não conhece, sugiro conhecer: revistaprego.blogspot.com). Também estou escrevendo um novo livro de contos, que não faço a mínima ideia de quando será lançado. Pra ser sincero, sou bem relaxado com isso de datas. Prefiro deixar tudo fluir sem prazos. “Trabalho” melhor assim.

Para a rapaziada que tá com os desenhos engavetados em casa e não sabe o que fazer com eles:

Bem, caso a sua vontade seja não mantê-los engavetados, sugiro que comece a divulgar imediatamente. A internet, por exemplo, é uma puta arma que nós temos e devemos saber usá-la a nosso favor.
Façam blogs, páginas, sites, páginas no facebook, o que quer que seja, mas façam. Colem seus desenhos nos muros, façam pichações, vírus, pragas de imagens, infestem o mundo com suas ideias. Por favor, o mundo precisa de ideias.

E obrigado, Fabio, por essa entrevista suja.

 

Eu em quadrinhos

O pessoal que acompanha este site já está ligado nas entrevistas que sempre estou pondo por aqui sobre o mundo das HQs. Então imaginem a minha surpresa quando descobri que tinha virado um personagem que vive roteiros baseados em minha vida. É isso aí. Para ir acompanhando minhas aventuras, desenhadas e roteirizadas por Eduardo Marinho, é só ficar de olho no link http://observareabsorver.blogspot.com.br/2012/11/saudade-desse-fidaputa.html. Vez por outra ele coloca algumas tirinhas novas lá.

Forte abraço a todos e espero que curtam

FSB