O mundo das princesas Disney mudou… Continue reading
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Por Fabio da Silva Barbosa
Material enviado por Marcio Baraldi.
Ao fundo o Gohan se posicionando para não ficar de fora da foto.
A partir do meu pedido para uma entrevista (http://www.quadrinho.com/2012/2012/10/26/entrevista-com-marcio-baraldi/), comecei um interessante contato com Marcio Baraldi, que me enviou uma caixa com seu material. Realmente o cara é uma mente inquieta. Atuando em diferentes áreas e tocando em diferentes assuntos para um público diverso, Baraldi tem nos traços sua marca registrada.
Irei comentar sobre cada item recebido.
RAP DEZ
Depois de falar sobre rock, alienígenas e política, entre outros assuntos, Marcio Baraldi entra em campo com esse personagem oriundo da cultura negra. Mais uma vez abrindo caminhos ainda não percorridos, Baraldi acredita que Rap Dez é o primeiro personagem rapper dos quadrinhos. Suas histórias são narradas com rimas, como em um rap. O volume ainda veio com um bottom do personagem.
VAPT E VUPT
Coletânea dos quadrinhos onde os pássaros Vapt e Vupt comentam sobre diversas questões humanas e naturais. Não é difícil perceber o fundo espiritualista, já que os personagens tiveram suas estórias produzidas para revistas sobre o assunto. Quando eu falei que o cara atuava em áreas e para públicos diversos eu não estava brincando.
ROKO-LOKO E ADRINA-LINA “HEY HO… LET’S GO!”
ROKO-LOKO, o já consagrado personagem dos quadrinhos roqueiros, e ADRINA-LINA encontram diversas figuras do rock durante suas aventuras. O volume compreende as publicações que saíram entre 2004 e 2006. Esse é o quarto livro do personagem e o décimo segundo de Baraldi. Roko já extrapolou os quadrinhos, virou camisa boneco e jogo de computador e celular. Falarei sobre o jogo a seguir.
ROKO-LOKO NO CASTELO DO RATOZINGER (REMIX)
Essa versão que chegou é a estendida, com novas fases bônus e um dvd que mostra todo bastidor do jogo, além de contar com depoimentos de músicos do Sepultura, Korzus, Angra e Exxótica (este último, responsável pela trilha sonora do game). Voltando ao jogo, ROKO-LOKO NO CASTELO DO RATOZINGER é dividido em 3 fases em que nosso herói tem de entrar no Vaticão, castelo do cruel Ratozinger (uma ratazana religiosa e conservadora que odeia o sexo e o rock – Alguma semelhança com alguém do mundo real?). Este vilão capturou ADRINA-LINA e várias figuras do rock (Ozzy Osbourne, Rob Halford, entre outros). O clima é aquele dos jogos clássicos dos anos 80. Ainda não cheguei até a última fase, mas a diversão tá rolando.
AO MESTRE COM CARINHO – RODOLFO ZALLA
Esse é o primeiro documentário feito por Marcio Baraldi, que já começa a empreitada falando sobre um nome de destaque no universo dos quadrinhos. Rodolfo Zalla relembra fatos marcantes e trabalhos antigos durante o filme. Uma ótima oportunidade para quem curte o tema ou o trabalho do grande mestre Zalla. Entre os pontos chaves do filme e dos extras, podemos salientar as capas proibidas e o clima familiar e descontraído em que decorre a entrevista.
Não poderia deixar de falar ainda sobre o simpático boneco do alienígena, outro personagem que Baraldi soube explorar e deixar registrado em seus caminhos, onde a diversidade e as novas experiências reinam a cada instante.
Contatos com Marcio Baraldi e informações sobre suas produções: www.marciobaraldi.com.br
Por Fabio da Silva Barbosa
Quadrinhos e rock. Uma mistura explosiva muito bem administrada por esse verdadeiro alquimista dos traços. Com vocês… Marcio Baraldi!

Como nasceu essa mistura de rock com HQs?
Isso nasceu espontaneamente. Desde que me conheço por gente eu gosto de gibis e de rockn’roll, eu passei minha infância e parte da adolescência enchendo cadernos com desenhos do Kiss ,do Queen, dos Stray Cats e outras bandas. Aí quando o negócio virou profissão mesmo, lá pros 14 anos, eu passei a fazer isso pra valer. No final dos anos 80 eu fazia o personagem “Johnny Bastardo” pro jornal “Rocker”, lá do ABC paulista, onde eu nasci. Depois, em janeiro de 1996, criei o “Roko-Loko e Adrina-Lina” pra revista “Rock Brigade”, que fez muito sucesso, ,virou video-game, bonecos, camisetas e quatro livros até o momento. Com o sucesso do Roko, vazei pra mais um monte de revistas como: Roadie Crew, Comando Rock, Dynamite, Valhalla, Rock Underground, Metalhead, Rock Forever, Headbanger Magazine(Equador), MetalHeart (Portugal) e outras. Ou seja, no auge desse mercado trabalhei pra praticamente TODAS as revistas de rock do Brasil e posso afirmar que a gente teve a melhor imprensa roqueira do mundo! Tanto em quantidade como em qualidade. Hoje há menos revistas nas bancas,mas continuo contribuindo com todas.
E dos quadrinhos você foi para os games, vídeos… Como foi essa jornada?
Foi consequência natural. Quando você cria um personagem que começa a conquistar um público, você tem que oferecer produtos para esse público. Primeiro foram os livros, depois camisetas, bonecos e cheguei ao game “Roko-Loko no Castelo do Ratozinger”, que foi o primeiro game rockn’roll 100% nacional. Até a trilha sonora desbundante era nacional, feita pela super banda Exxótica. Agora ataquei de diretor de cinema e lancei o documentário “Ao Mestre com Carinho”, sobre o Rodolfo Zalla, um dos maiores mestres da HQ nacional.Minha vontade no momento é recuperar o passado da HQ brasileira com documentários que contem a história da melhor fase que o quadrinho brasileiro teve que foram os anos 60 ,70 e 80.
Além do rock você tem passagens pelas charges políticas, pelo grafite e até andou tirando um som por aí. Conte um pouco desse Baraldi múltiplo.
Eu toquei em bandas quando era moleque e também fui grafiteiro, mas nunca fui profissional em nenhuma das duas coisas. Tanto que chegou uma hora que eu parei com tudo, entrei na faculdade e me dediquei só ao desenho, que foi onde eu virei profissa e construí minha vida. Mas eu ainda tenho baixo, guitarra e teclado guardados lá em casa. Mais pra frente, quando eu tiver tempo, volto a pega-los. A música tá no sangue e tocar um instrumento faz um bem danado pra alma. Quanto as charges políticas, eu faço isso a vida inteira e vou morrer fazendo, porque eu gosto de política e porque no Brasil o cartunista tem que ser polivalente, ou seja, fazer charges, cartuns, quadrinhos, tiras, ilustrações , caricaturas e o que mais aparecer pela frente.
Uma referência indispensável:
O Punk Rock e seu lema ” Do it Yourself!”, que virou meu lema de vida e me ensinou a confiar no meu próprio taco, fazer as coisas do meu jeito, ter opinião própria e ser independente sempre. E, claro, não me importar com os escrotos que sempre tem em qualquer lugar (Never mind the bollocks).
O que você destacaria na produção cultural contemporânea?
Não sei dizer nomes, mas enquanto tiver uma galera revoltada, querendo mudar o mundo através dos quadrinhos, do teatro, do cinema, da música , etc, eu vou aplaudi-los e renovar minhas esperanças.Se só sobrarem os bunda-moles , fúteis e alienados, eu vou ficar, como diria o saudoso IRA!, bem “longe de tudo!”.
E as novidades? O que está por vir deste inquieto Baraldi?
Agora eu tô olhando pro passado, não no sentido nostálgico, mas querendo resgatar a história dos grandes mestres dos Quadrinhos Brasileiros. Uma história que não foi devidamente contada e que as novas gerações não conhecem, não sabem quem são ou foram. Minha vontade agora é fazer documentários do Eugênio Colonnese, Shimamoto, Fernando Ikoma e outros da geração Taika/Edrel. Vamos ver se tudo dá certo como deu com o Zalla, que rendeu um ótimo DVD. Quem não tem ainda, faça um favor pra si mesmo e compre na www.comix.com.br
Arte ou entretenimento?
Acho que arte é justamente pra ser entretenimento e cultura pra população. Senão, pra que serve a arte? Os museus e galerias têm que ser lugares frequentados por gente de todas as idades e condições sócio-econômicas. Arte é pra ser ensinada nas escolas desde o pré-primário, tanto pra produzi-la quanto pra apreciá-la. Se todo mundo fosse bem educado, inclusive através da arte, com certeza a gente não estaria ouvindo “tchus” e “tchas” nas rádios, nem vendo um monte de lixo na TV todo dia. Os próprios quadrinhos poderiam ser mais divertidos e menos violentos e neuróticos. Enfim, o nível exigido e praticado seria outro.
Arte é revolução?
Arte é educação, comunicação, política e cultura. E tudo isso tirou a gente das cavernas e continua fazendo a gente evoluir. Portanto, arte é permanentemente (r)evolucionária.
E revolução é evolução?
Revolução é evolução com um “R” de rebeldia na frente.
O fechamento é com você. Manda bala:
BANG, BANG,BANG!
Mate a injustiça e a ignorância e o mundo será melhor!
Visite o site do Baraldão: www.marciobaraldi.com.br
Durango Kid – O Trem do Perigo Continue reading