Associação Cultural Nação HQ realizará o 8º Dia do Quadrinho Nacional em Belo Horizonte. Confira as atrações:
Associação Cultural Nação HQ realizará o 8º Dia do Quadrinho Nacional em Belo Horizonte. Confira as atrações:
Por Fabio da Silva Barbosa
Quadrinhos e rock. Uma mistura explosiva muito bem administrada por esse verdadeiro alquimista dos traços. Com vocês… Marcio Baraldi!

Como nasceu essa mistura de rock com HQs?
Isso nasceu espontaneamente. Desde que me conheço por gente eu gosto de gibis e de rockn’roll, eu passei minha infância e parte da adolescência enchendo cadernos com desenhos do Kiss ,do Queen, dos Stray Cats e outras bandas. Aí quando o negócio virou profissão mesmo, lá pros 14 anos, eu passei a fazer isso pra valer. No final dos anos 80 eu fazia o personagem “Johnny Bastardo” pro jornal “Rocker”, lá do ABC paulista, onde eu nasci. Depois, em janeiro de 1996, criei o “Roko-Loko e Adrina-Lina” pra revista “Rock Brigade”, que fez muito sucesso, ,virou video-game, bonecos, camisetas e quatro livros até o momento. Com o sucesso do Roko, vazei pra mais um monte de revistas como: Roadie Crew, Comando Rock, Dynamite, Valhalla, Rock Underground, Metalhead, Rock Forever, Headbanger Magazine(Equador), MetalHeart (Portugal) e outras. Ou seja, no auge desse mercado trabalhei pra praticamente TODAS as revistas de rock do Brasil e posso afirmar que a gente teve a melhor imprensa roqueira do mundo! Tanto em quantidade como em qualidade. Hoje há menos revistas nas bancas,mas continuo contribuindo com todas.
E dos quadrinhos você foi para os games, vídeos… Como foi essa jornada?
Foi consequência natural. Quando você cria um personagem que começa a conquistar um público, você tem que oferecer produtos para esse público. Primeiro foram os livros, depois camisetas, bonecos e cheguei ao game “Roko-Loko no Castelo do Ratozinger”, que foi o primeiro game rockn’roll 100% nacional. Até a trilha sonora desbundante era nacional, feita pela super banda Exxótica. Agora ataquei de diretor de cinema e lancei o documentário “Ao Mestre com Carinho”, sobre o Rodolfo Zalla, um dos maiores mestres da HQ nacional.Minha vontade no momento é recuperar o passado da HQ brasileira com documentários que contem a história da melhor fase que o quadrinho brasileiro teve que foram os anos 60 ,70 e 80.
Além do rock você tem passagens pelas charges políticas, pelo grafite e até andou tirando um som por aí. Conte um pouco desse Baraldi múltiplo.
Eu toquei em bandas quando era moleque e também fui grafiteiro, mas nunca fui profissional em nenhuma das duas coisas. Tanto que chegou uma hora que eu parei com tudo, entrei na faculdade e me dediquei só ao desenho, que foi onde eu virei profissa e construí minha vida. Mas eu ainda tenho baixo, guitarra e teclado guardados lá em casa. Mais pra frente, quando eu tiver tempo, volto a pega-los. A música tá no sangue e tocar um instrumento faz um bem danado pra alma. Quanto as charges políticas, eu faço isso a vida inteira e vou morrer fazendo, porque eu gosto de política e porque no Brasil o cartunista tem que ser polivalente, ou seja, fazer charges, cartuns, quadrinhos, tiras, ilustrações , caricaturas e o que mais aparecer pela frente.
Uma referência indispensável:
O Punk Rock e seu lema ” Do it Yourself!”, que virou meu lema de vida e me ensinou a confiar no meu próprio taco, fazer as coisas do meu jeito, ter opinião própria e ser independente sempre. E, claro, não me importar com os escrotos que sempre tem em qualquer lugar (Never mind the bollocks).
O que você destacaria na produção cultural contemporânea?
Não sei dizer nomes, mas enquanto tiver uma galera revoltada, querendo mudar o mundo através dos quadrinhos, do teatro, do cinema, da música , etc, eu vou aplaudi-los e renovar minhas esperanças.Se só sobrarem os bunda-moles , fúteis e alienados, eu vou ficar, como diria o saudoso IRA!, bem “longe de tudo!”.
E as novidades? O que está por vir deste inquieto Baraldi?
Agora eu tô olhando pro passado, não no sentido nostálgico, mas querendo resgatar a história dos grandes mestres dos Quadrinhos Brasileiros. Uma história que não foi devidamente contada e que as novas gerações não conhecem, não sabem quem são ou foram. Minha vontade agora é fazer documentários do Eugênio Colonnese, Shimamoto, Fernando Ikoma e outros da geração Taika/Edrel. Vamos ver se tudo dá certo como deu com o Zalla, que rendeu um ótimo DVD. Quem não tem ainda, faça um favor pra si mesmo e compre na www.comix.com.br
Arte ou entretenimento?
Acho que arte é justamente pra ser entretenimento e cultura pra população. Senão, pra que serve a arte? Os museus e galerias têm que ser lugares frequentados por gente de todas as idades e condições sócio-econômicas. Arte é pra ser ensinada nas escolas desde o pré-primário, tanto pra produzi-la quanto pra apreciá-la. Se todo mundo fosse bem educado, inclusive através da arte, com certeza a gente não estaria ouvindo “tchus” e “tchas” nas rádios, nem vendo um monte de lixo na TV todo dia. Os próprios quadrinhos poderiam ser mais divertidos e menos violentos e neuróticos. Enfim, o nível exigido e praticado seria outro.
Arte é revolução?
Arte é educação, comunicação, política e cultura. E tudo isso tirou a gente das cavernas e continua fazendo a gente evoluir. Portanto, arte é permanentemente (r)evolucionária.
E revolução é evolução?
Revolução é evolução com um “R” de rebeldia na frente.
O fechamento é com você. Manda bala:
BANG, BANG,BANG!
Mate a injustiça e a ignorância e o mundo será melhor!
Visite o site do Baraldão: www.marciobaraldi.com.br
Vídeo “Como se faz um livro?” feito pela Revista Crescer com o ilustrador Odilon Moraes.
Por: Fabio da Silva Barbosa
Denilson Rosa dos Reis, professor de História, guitarrista de blues e fanzineiro. Editor do fanzine Tchê desde 1987. Publica as revistas Quadrante Sul e Peryc, O Mercenário. Ganhador do Troféu Risco em 1988, com o fanzine Tchê, e do Prêmio DB Artes em 2010, com a revista Quadrante Sul. Publicou no livro Raízes de Alvorada em 2006, textos sobre a História de Alvorada/RS.
Como foi o início da relação com os zines?
Foi através dos quadrinhos de super-heróis Marvel. Depois de assistir o filme do Conan, comecei a ler quadrinhos. Um cara do Maranhão me convidou para entrar no seu fã-clube depois de ver minha carta numa revista da Editora Abril. Ele editava um ‘jornalzinho’, que depois ficamos sabendo ser um fanzine. Na sequência o cara começou a incentivar uma galera a fazer o seu próprio zine e acabei, em dezembro de 1987, lançando o Fanzine Tchê 01, com capa de Henry Jaepelt e HQ escrita por mim e desenhada pelo argentino Isaac Hunt. Isto há 25 anos! Em tempo, o cara que mencionei e responsável pelo meu início nos fanzines foi o fantástico Joacy Jamys, figura mítica dos fanzines no Brasil. Fui o primeiro com quem ele fez contato fora do Maranhão.
E com os quadrinhos?
Como falei acima, depois que assisti ao filme Conan – O Bárbaro, em uma reprise no cinema (Isto mesmo, numa época em que aparelho de vídeo K7 era raridade, os cinemas reprisavam filmes que viraram Cult pelo público), descobri que o personagem era oriundo dos quadrinhos (mais tarde fiquei sabendo que era dos ‘pulp’) e comecei a ler a revista A Espada Selvagem de Conan. Virei fã do Conan (tanto que hoje tenho todas as revistas do personagem publicadas no Brasil), mas fui além. Comecei a ler outras HQs da Marvel e depois DC Comics. Quando comecei com os fanzines descobri o quadrinho nacional e virei militante, defendendo as HQs produzidas no Brasil.
Como foi a transformação do Quadrante Sul zine para revista?
Na real a Quadrante Sul já nasceu como revista. No final da década de 1980, eu editava o fanzine Tchê, Alex Doeppre, o fanzine Antimatéria, e o Gervásio Santana, o fanzine Estilo. Todos eram zines ‘papel xerox’ e a Quadrante Sul seria uma publicação impressa em gráfica, além de ‘remunerar’ os desenhistas com exemplares da revista. Claro que o que conseguimos naquela época foi uma impressão em off-set com capa em duas cores, ou seja, tudo bem limitado. 20 anos depois, já adultos e com alguma reserva financeira para bancar uma revista com capa colorida e impressa em gráfica com alto padrão de qualidade, retomamos a revista. Além disso, buscamos retomar também alguns personagens que havíamos criado na época em que publicamos nossos primeiros zines e os números 1 a 3 da Quadrante Sul. Foi um ‘revival’ que curtimos muito e logo estaremos dando continuidade.
O panorama atual dos quadrinhos:
Os quadrinhos estão bem diferentes da época em que comecei a colecionar. As revistas estão mais produzidas graficamente e temos uma opção grande de publicações e estilos. O preço é que anda bastante salgado, o que faz as tiragens caírem bastante. Hoje seleciono bastante o que vou comprar, tanto que não tenho mais uma coleção mensal. A única exceção é a revista Vertigo. Quanto ao quadrinho nacional, temos visto ótimas obras, a maioria nas livrarias e revistarias especializadas. Sinto a falta de ir numa banca para comprar um gibi com diversidade de autores brasileiros.
O que é indispensável em um quadrinho?
Um personagem marcante é fundamental! A história tem que ser bem estruturada e com uma compreensão fácil, onde o leitor consiga acompanhar o roteiro sem ter que retomar a leitura após cinco ou seis páginas. Quadrinho é divertimento, mesmo que o enredo seja denso, crítico ou existencial. O desenho chama bastante a atenção, mas uma HQ sem um roteiro bem escrito não fica na nossa memória.
Um personagem inesquecível:
Conan, sem dúvida nenhuma! Robert E. Howard foi iluminado ao criá-lo. É o tal personagem marcante que falei acima.
Considerações finais:
Aquele tradicional agradecimento ao Fabio pelo espaço e a você que leu estas minhas poucas palavras. Leia muito quadrinho ou o que você curte, faça zines, mantenha contato com as pessoas, curta a vida!