Dissecando as Histórias em Quadrinhos (III): Balões

Não é apenas no formato que os balões de histórias em quadrinhos se diferenciam de um para o outro. Existem outras nomenclaturas que veremos a seguir.

As letras dentro de um balão podem variar como uma “entonação” da “voz” do personagem. Um bom exemplo é o personagem Thor - o Deus do Trovão, que ostenta na sua fala pomposa, com emprego da segunda pessoa, um vocabulário condizente a uma divindade escandinava.
Os personagens da série Sandman, criados por Neil Gaiman, têm não só as letras, mas os balões diferenciados como Os Perpétuos, irmãos do protagonista. Notam-se as variações condizentes com as personalidades: Sandman (ou Sonho) tem seus balões negros como a noite, já Delírio é multicolorido e caótico. E por ai vai.
O negrito e/ou o sublinhado nos balões representam a ênfase em algumas palavras. Podem remeter também ao tom mais alto ou emocional dependendo do contexto.

Quando aparece um asterisco no final de uma palavra ou expressão, sempre é acompanhado no canto do mesmo quadrinho ou no final da mesma página uma legenda com uma nota do autor ou do editor da HQ.
Outro exemplo comum é o uso do “<” e “>” no começo e final de falas para sugerir que aquela é traduzida de uma língua estrangeira. Geralmente é o primeiro balão com ela é seguido de um asterisco, onde na legenda indica que idioma original é versão.
O itálico pode ser usado para expressões estrangeiras não-traduzidas, monólogos internos em legendas e balões de pensamento, além de vozes sendo transmitidas por aparelhos como rádio, tevê, comunicador etc.
Um balão preenchido apenas com reticências pode indicar hesitação ou pausa dramática na situação. É visto com mais frequência nos mangás.
Mas dentro do balão não é necessário ser preenchido com prosa. Para representar um personagem assoviando coloca-se uma nota musical no balão. O xingamento pode ser censurado por cobras, relâmpagos, pregos, caveiras e uma infinidade de sinais nas histórias infanto-juvenis. Há autores que substituem a fala pela ideia dos símbolos [tira abaixo]. Quando um personagem diz que vai telefonar, desenha-se um telefone dentro do balão, por exemplo.

Os recursos mais usados como representação da fala sem o emprego das palavras é o “blá-blá-blá”, indicando uma conversa ou monólogo em excesso desimportante, o “z-z-z-z”, denotando o momento de sono ou os sinais de pontuação como a interrogação (“?”) para dúvida ou a exclamação (“!”) para admiração ou espanto.
A infinidade criativa para o uso dos balões é sempre constante. Na série Fracasso de Público [ilustração ao lado] o autor Alex Robinson os sobrepõem para dar a sensação de simultaneidade nas falas. Na obra vemos um personagem impondo seu argumento ao outro com o balão "atropelando" seu discurso ou vários balões deconexos ao fundo para dar sensação de cacofonia no ambiente.


[O uso e estudo do balão estão constantemente em aberto e é mais amplo do que esta coluna. Por isso indico a seguir livros teóricos para os leitores que querem aprofundar mais nesta proposição.]

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