Quarta, 22 Maio, 2013
   
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Dissecando as Histórias em Quadrinhos (III): Balões

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Não é apenas no formato que os balões de histórias em quadrinhos se diferenciam de um para o outro. Existem outras nomenclaturas que veremos a seguir.

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As letras dentro de um balão podem variar como uma “entonação” da “voz” do personagem. Um bom exemplo é o personagem Thor - o Deus do Trovão, que ostenta na sua fala pomposa, com emprego da segunda pessoa, um vocabulário condizente a uma divindade escandinava.

Os personagens da série Sandman, criados por Neil Gaiman, têm não só as letras, mas os balões diferenciados como Os Perpétuos, irmãos do protagonista. Notam-se as variações condizentes com as personalidades: Sandman (ou Sonho) tem seus balões negros como a noite, já Delírio é multicolorido e caótico. E por ai vai.

O negrito e/ou o sublinhado nos balões representam a ênfase em algumas palavras. Podem remeter também ao tom mais alto ou emocional dependendo do contexto. 

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Quando aparece um asterisco no final de uma palavra ou expressão, sempre é acompanhado no canto do mesmo quadrinho ou no final da mesma página uma legenda com uma nota do autor ou do editor da HQ.

Outro exemplo comum é o uso do “<” e “>” no começo e final de falas para sugerir que aquela é traduzida de uma língua estrangeira. Geralmente é o primeiro balão com ela é seguido de um asterisco, onde na legenda indica que idioma original é versão.

O itálico pode ser usado para expressões estrangeiras não-traduzidas, monólogos internos em legendas e balões de pensamento, além de vozes sendo transmitidas por aparelhos como rádio, tevê, comunicador etc.

altUm balão preenchido apenas com reticências pode indicar hesitação ou pausa dramática na situação. É visto com mais frequência nos mangás.

Mas dentro do balão não é necessário ser preenchido com prosa. Para representar um personagem assoviando coloca-se uma nota musical no balão. O xingamento pode ser censurado por cobras, relâmpagos, pregos, caveiras e uma infinidade de sinais nas histórias infanto-juvenis. Há autores que substituem a fala pela ideia dos símbolos [tira abaixo]. Quando um personagem diz que vai telefonar, desenha-se um telefone dentro do balão, por exemplo.

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altOs recursos mais usados como representação da fala sem o emprego das palavras é o “blá-blá-blá”, indicando uma conversa ou monólogo em excesso desimportante, o “z-z-z-z”, denotando o momento de sono ou os sinais de pontuação como a interrogação (“?”) para dúvida ou a exclamação (“!”) para admiração ou espanto.

A infinidade criativa para o uso dos balões é sempre constante. Na série Fracasso de Público [ilustração ao lado] o autor Alex Robinson os sobrepõem para dar a sensação de simultaneidade nas falas. Na obra vemos um personagem impondo seu argumento ao outro com o balão "atropelando" seu discurso ou vários balões deconexos ao fundo para dar sensação de cacofonia no ambiente.

Leonardo Bastos, do Malditos Tiras [tira abaixo], “molda” seus balões conforme o que é dito, pensado ou sentido de uma forma bem criativa, tirando-os do segundo plano e enfatizando o resultado final de suas webcomics.
 
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A metalinguagem aproveitando os balões como “objeto” também é apresentado nas HQs do Mauricio de Sousa. Cebolinha insulta a Mônica e ela esbraveja para ele "retirar o que falou". Simplismente eEle segura no rabicho do balão e o retira de cena. Outro exemplo:
 
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Não é à toa que os balões são considerados por muitos estudiosos e pesquisadores como parte vital para a narração da arte sequencial. Uma técnica que se expandiu para outros meios, mas que sempre tem voz nas histórias em quadrinhos...
 
Bibliografia recomendada:

[O uso e estudo do balão estão constantemente em aberto e é mais amplo do que esta coluna. Por isso indico a seguir livros teóricos para os leitores que querem aprofundar mais nesta proposição.]

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- Desvendando os Quadrinhos, Reinventando os Quadrinhos e Desenhando os Quadrinhos (Editora M. Books) por Scott McCloud;
 
- Narrativas Gráficas (Ed. Devir) e Quadrinhos e Arte Sequencial (Martins Fontes), ambos de Will Eisner;
 
- Falas e Balões (Marca de Fantasia), de Marcos Nicolau;
 
- Para Ler os Quadrinhos: Da narrativa cinematográfica à narrativa quadrinizada (Vozes), por Moacy Cirne;
 
- A Leitura dos Quadrinhos (Contexto), de Paulo Ramos;
 
- Shazam! (Perspectiva) e A História das Histórias em Quadrinhos (L&PM) de Álvaro de Moya
 
Leia também:

 
AUDACI JR. é editor do blog HQemHQ e escreve aqui todas as quartas-feiras com seu olhar critíco sobre os quadrinhos. Vocês também podem acompanhar o autor através de seu twitter
 
Nota do Editor: A coluna está sendo publicada hoje, quinta-feira, excepcionalmente devido a demanda e planejamento realizado na última quarta.

 

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